Harris Savides 1957 – 2012

Harris Savides morreu recentemente. Ele foi um dos principais diretores de fotografia do cinema nos últimos 15 anos. O crítico Richard Brody, comentando sua morte, definiu Savides como um dos heróis do cinema americano moderno. Savides trabalhou com alguns dos cineastas americanos mais interessantes dos últimos tempos: David Fincher (Zodíaco), Sofia Coppola (Somewhere e o inédito The Bling Ring), James Gray (Caminho sem Volta), entre outros. Mas sua colaboração mais longa e talvez mais importante tenha sido com Gus Van Sant: Gerry, Elefante, Last Days, Milk e Inquietos.

É difícil apontar o ponto forte de seu trabalho, pois Savides era muito versátil: fez filmes claros, escuros, experimentais, comerciais, em ambientes fechados e até em desertos. Talvez no futuro seja mais lembrado pelas cenas noturnas de Zodíaco (filmadas com a câmera digital Thomson Viper) e os movimentos de câmera longos e complexos de Elefante e de Birth (de Jonathan Glazer). Não é exagero afirmar que Savides foi praticamente coautor destes e de outros filmes. Ele soube como poucos dar liberdade para a imaginação de pessoas muito talentosas. Sua morte é uma perda de tamanho incalculável para o cinema americano. Mas os filmes em que trabalhou estão aí, muito vivos, graças a ele.

Adeus Carlão

Carlos Reichenbach morreu na última quinta-feira, mas ainda estou esperando a notícia de que foi tudo um engano. Muitos escreveram sobre o cineasta Carlão, enquanto outros, os mais sortudos, preferiram se lembrar do amigo Carlão. Eu não tive a sorte de ser seu amigo, mas sempre que conversei com Reichenbach, ele foi uma pessoa gentil e genuinamente camarada.

Por isso quero lembrar outra faceta de Carlão, também muito importante: sua participação na internet. Para certa geração de cinéfilos, ele foi uma das vozes da cinefilia obrigatórias na internet, através de sua colunas no Terra, no Cineclick e finalmente seu blog pessoal. Sem qualquer preocupação em ser crítico de cinema, Carlão estava sempre chamando a atenção para filmes e cineastas; de preferências desconhecidos e/ou radicais, corajosos e inventivos. E tarados também. Qualidades que ele reverenciava.

Além disso, sempre incentivou e divulgou todos aqueles que contribuíam para o pensamento sobre cinema e a cinefilia. Incluindo este que vos escreve. Desconheço no Brasil, e talvez no mundo todo, um cineasta tão aberto e participativo quanto ele.

Adeus Carlão. Obrigado por tudo.

Créditos Iniciais | boas-vindas ao Olho Cinematográfico

Outro blog? De novo? Os amigos vão lembrar que eu já tentei isto antes. Várias vezes. Aquelas tentativas não deram certo, mas e daí? Obstáculos existem e vão continuar existindo. O importante é perseverar, acreditar no que faz e se preocupar com o resto depois.

Na verdade, eu sentia falta de escrever sobre filmes, e cinema em geral. Daí, o novo blog. OLHO CINEMATOGRÁFICO é um espaço para minhas opiniões sobre cinema, e a arte das imagens em movimento. Como é bom estar de volta, escrevendo.

Encerro este primeiro post para dar boas-vindas aos leitores do OLHO CINEMATOGRÁFICO. Voltem sempre.