O Círculo Cromático | estrutura convencional e um trunfo no final

Durante boa parte de sua projeção, The Color Wheel (dirigido e estrelado por Alex Ross Perry) parece seguir o estereótipo de filmes mumblecore: uma comédia de baixo-orçamento, muitos diálogos com tendência à misantropia, protagonistas fracassados e egocêntricos. O filme é um road-movie acompanhando dois irmãos (o próprio Perry e Carlen Altman; a dupla também escreveu o roteiro), fracassos completos em suas vidas pessoais e profissionais, reclamando de tudo e de todos, inclusive um do outro, em situações socialmente desconfortáveis e/ou absurdas. Tão absurdas que por vezes o filme parece despreocupado em querer construir um sentido ou algo assim. A partir dessa estrutura convencional, Alex Ross Perry consegue um bom timing cômico e boas composições com seu preto-e-branco em 16 mm. Mas seu verdadeiro trunfo é um quase monólogo no final, um impactante plano-sequência de nove ou dez minutos que, mais do que uma firula que chama a atenção para si própria, nos dá uma nova perspectiva aos personagens e ao restante do filme. Tenho sérias dúvidas se é mesmo o grande filme que parte da crítica americana insistiu, mas Alex Ross Perry é um nome a ser lembrado.

O Círculo Cromático (2011). Dirigido por Alex Ross Perry.