Hotel Mekong | Apichatpong e seu filme simples

Uma cena, simples e direta, pode explicar as intenções de Apichatpong Weerasethakul em seu novo filme: um personagem, experimentando roupas, reclama que só tem camisas estampando “Joe” (este é apelido de Apichatpong na mídia internacional). Talvez “Joe” tenha receio de que seu cinema se torne um repetitivo slogan de camisa. Uma preocupação compreensível para quem ganhou a Palma de Ouro por possivelmente seu melhor filme, Tio Boonmee que Pode Recordar suas Vidas Passadas. Hotel Mekong soa como um rascunho para novas possibilidades. É verdade que o tom sereno com que filma um hotel assombrado por fantasmas canibais e embaralha sonho e realidade não surpreenderá seus fãs. Mas, por ter limitado suas filmagens a um local apenas, Apichatpong fez um filme surpreendentemente despojado, simples até para os padrões dele (e, para os detratores, simplório). Com poucos cortes, sua câmera permanece quase imóvel e indiferente aos acontecimentos, minimalizando as situações estranhas. Por vezes “Joe” parece preferir contemplar à distância as paisagens do rio Mekong (que separa a Tailândia do Laos). Hotel Mekong não se equivale a seus melhores filmes, mas está longe de ser uma obra menor, equivocada ou descartável do cineasta.

Hotel Mekong (2012). Dirigido por Apichatpong Weerasethakul.