Cosmópolis | notas

Seguem cinco observações sobre o filme:

1 | Parece faltar ao filme a precisão que geralmente se espera de Cronenberg. Muitas vezes tive a impressão de que um diálogo se esgotou e o filme ia seguir para outra cena, apenas para o diálogo continuar e continuar.

2 | É um filme muito dialogado. Curioso detratores de Um Método Perigoso celebrarem este aqui como uma volta à velha forma do cineasta, pois ambos são parecidos, ao menos em sua natureza teatral.

3 | Cronenberg estabelece de forma muito clara um confronto entre o espaço externo (caótico, vivo) e o interior da limousine (controlável, estéril). A preferência do cineasta pelo primeiro é evidente; não por acaso o interior da limousine lembra um caixão.

4 | A jornada do protagonista (Robert Pattinson, perfeito em sua apatia) envolve, entre outras coisas, remover gradualmente sua segurança (às vezes de forma muito literal!) e encarar o mundo real. E, como em todo Cronenberg, paga alto preço por isso.

5 | O filme acaba sendo menos “a obra-prima do novo milênio” e mais como um experimento para os próximos filmes de David Cronenberg.

Cosmópolis (2012). Dirigido por David Cronenberg.